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Pare de ler livros de negócios: Entenda porquê!

“Os CEOs leem em média 60 livros no ano”

“O hábito que ajudou Bill Gates, Warren Buffett e Oprah Winfrey alcançarem o sucesso”

“Leitura é um hábito na vida de homens de sucesso. Quantos livros você lê por ano?”

Desconfie das tendências que pregam o excesso. Primeiro porque para a vida não há fórmula, e segundo porque a sociedade que construímos é baseada no estímulo ao consumo infinito de tudo, transformando o que seria solução em problema, para te fazer, adivinha, consumir mais.

Outro hábito que criamos é o de repetir e disseminar constantemente informações e ditos dos quais não temos propriedade, e que na superfície parecem fazer sentido. Afinal, livros são informação, certo? Então, quanto mais informação, mais conhecimento, igual a mais sucesso, certo? Parece fazer sentido. É aí que você mete os pés pelas mãos, e a sua frustração dá origem ao aumento do consumo, de informação e de outras coisas mais. Bingo, eles ganharam.

Não sei de onde veio essa ideia de que quanto mais se lê, mais coisas sabemos, mais inteligentes somos. Não sei de onde veio essa ideia de que CEO’s leem “40 mil livros” por ano e por isso que eles são CEOs. Como se fosse uma fórmula, mas não é.

É só a opinião de alguém, não é um manual de vida

Uma competição constante por mais [de tudo] é o que se vê no mundo de hoje, mas eu tenho um segredo para te contar. A “vida” não é como nos livros. Seja lá qual livro for. Para que aquele livro fosse escrito, existiu uma história real de vida, mas a história em todos os seus segundos e minutos não cabe em um livro de 200 ou 300 páginas, a vida é muito mais complexa que isso.

Os livros, em geral, são o resultado da compilação de lições, ensinamentos, exemplos e histórias curtas, sem nenhum compromisso necessariamente com a realidade, e sim com a perspectiva de quem escreve. Os livros são como filmes, compilam anos de vida e experiências em algumas horas de leitura.

Quando nossa rotina é preenchida mais com livros do que com ação, adquirimos como referência parâmetros que podem ser distantes da prática, que não consideram eventos que não constam nos livros: desafios e imprevistos. Eles estão por todos os lados.

Isso nos traz uma reflexão: livros não são manuais de vida, ou de negócios, ou de qualquer coisa. Livros são apenas o pensamento e a perspectiva de alguém sobre aquele assunto. Ainda que embasados por pesquisas, experimentos e testes, esses resultados são sempre condicionais e referenciais, ou seja, existiam condições para que fossem observados aqueles resultados apresentados e análises foram feitas a partir de um referencial determinado.

Estar exposto a diferentes perspectivas  é fundamental para que possamos desenvolver nosso próprio pensamento crítico e perspectiva sobre algo. E esse pensamento crítico e capacidade de reflexão é comprometido quando inundamos nossa mente de informação contínua.

Consumir informação compulsivamente sem questionar e/ou processá-la, é o que se chama de obesidade mental: acúmulo de informação não processada, e que sem a capacidade de contextualizá-la, você não consegue fazer nada com ela. Pior: quanto mais informação, mais paralisado você fica.

Problemas causados pela sobrecarga de informação deliberada

O problema não está em ler, o hábito da leitura é incrível. O problema estar em achar que todas as respostas estão nos livros, que o aprendizado está no livro e que o livro reflete a vida.

Isso provoca ansiedade, e nos traz a sensação de que nunca estamos prontos o suficiente para agir. Que sempre falta absorver mais, saber mais, para então “estar pronto” “o suficiente”. No entanto, você já se perguntou até que ponto está mesmo absorvendo o conteúdo que consome ou só alimentando essa ansiedade?

Se você está lendo sem um objetivo, sem uma intenção específica, se está agindo apenas pelo hábito de acreditar que ler mais vai te fazer crescer mais, é aí que está pisando na casca da banana.

O grande volume de informação é prejudicial por três motivos:

  1. A inserção contínua de informação causa fatiga ao cérebro, o que dificulta a absorção e o processamento real do conteúdo.
  2. Diminuição da capacidade analítica e decisória. A sobrecarga de informação acontece quando a quantidade de informação inserida no sistema excede a sua capacidade de processamento. E isso faz com que a nossa qualidade de decisão reduza.
  3. Causa ansiedade, impede ação, e traz a sensação de que sempre falta algo para aprender.  Ao invés de produzir resultados, seu cérebro fica preso em “informações” para serem seguidas. Fica-se empacado por ter muitas opções.

Quem veio primeiro, a ação ou a informação?

Em boa parte da vezes, o livro que você está lendo foi escrito por alguém que fez algo, que agiu primeiro, e depois sumarizou os aprendizados e dividiu com você leitor. Ele(a) aprendeu com a sua própria experiência e por isso ele detém de fato o conhecimento sobre aquilo.

Pensar que só de ler o conteúdo, você absorverá tais aprendizados e evitará que aconteçam com você, é ilusão. Receber informação é diferente incorporá-la. Não se”sabe” algo porque leu, se sabe algo quando você vive. A experiência oferece propriedade sobre o tópico.

Este artigo não é diferente, eu quis trazer este assunto porque já estive neste lugar. Eu era dona de uma lista interminável de livros. A cada livro que lia no momento, da primeira à última página, era preenchida de ansiedade já pelo próximo. Por saber o que eu não sabia ainda, para ler o que eu ainda não tinha lido, para estar um livro à frente de “conhecimento” que os outros. E pior, isso era até “admirado” e estimulado por outras pessoas, provavelmente por aquelas que leram as manchetes dos hábitos dos CEO’s.

Até o dia em que eu tropecei com o termo mencionado anteriormente ‘Obesidade Mental’. Nesse momento eu fui tomada por um sentimento de autoconstrangimento (obrigada pela palavra Matheus de Souza).

E quando coloquei na balança mental, me assustei com tanto de informação que eu acumulava versus o que eu realmente fazia com aquela informação. E foi aí que eu vi, que eu tinha que parar. A partir daí, passei quase um ano ou mais sem ler nenhum livro.

O que aconteceu foi que aquele foi o ano em que eu mais realizei coisas, projetos, ideias, processos, até então. E sem dúvidas, foi o ano que eu mais aprendi, porque eu entendi que negócios são como filhos, por mais que você leia livros sobre como criá-los, você só aprende vivendo no dia a dia e sentindo na pele.

Como desenvolver o hábito positivo da leitura

Recebo mensagens com certa frequência de pessoas pedindo por sugestões de livros que ajudem a iniciar seus negócios, projetos e marcas, como se a resposta fosse estar lá, mas a verdade é que a resposta está em de fato começar.

Na próxima vez que for começar a leitura de um livro e quiser saber se ele te ajuda ou te atrapalha, tenha claro o que está te motivando a ler ele. Qual informação você quer, ou qual caminho você quer colocar em prática? O que quer tirar dele?

O hábito positivo da leitura acontece através da leitura intencional, desenvolver a consciência do porque fazemos o que fazemos, o que esperamos disto.

No livro Uma mente organizada: como pensar com clareza na era da sobrecarga de informação, o neurocientista, Daniel Levitin compartilha:

“O filósofo romano Sneca (tutor de Nero) reclamou que seus colegas estavam desperdiçando tempo e dinheiro acumulando tantos livros, alertando que a abundância de livros é uma distração.” Ao invés disso, Sneca recomendava focar em um número limitado de bons livros, para serem lidos com profundidade e repetidamente.”

Desapegar-se da competição interna e dos números, e passar a atentar-se para a qualidade, no sentido de qualidade de leitura, absorção e prática, é como parar de ficar contando calorias para combinar alimentação nutritiva com atividade física, funciona melhor a longo prazo e te traz retornos mais consistentes.

Se ainda ficou alguma dúvida sobre o posicionamento deste artigo, clarifico: apoio e incentivo o hábito da leitura, assim como apoio e incentivo o hábito de se questionar sobre o porquê e o como o faz

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Conscious leadership

Pare de ler livros de negócios: Entenda porquê!

By
Nathalia Montenegro

“Os CEOs leem em média 60 livros no ano”

“O hábito que ajudou Bill Gates, Warren Buffett e Oprah Winfrey alcançarem o sucesso”

“Leitura é um hábito na vida de homens de sucesso. Quantos livros você lê por ano?”

Desconfie das tendências que pregam o excesso. Primeiro porque para a vida não há fórmula, e segundo porque a sociedade que construímos é baseada no estímulo ao consumo infinito de tudo, transformando o que seria solução em problema, para te fazer, adivinha, consumir mais.

Outro hábito que criamos é o de repetir e disseminar constantemente informações e ditos dos quais não temos propriedade, e que na superfície parecem fazer sentido. Afinal, livros são informação, certo? Então, quanto mais informação, mais conhecimento, igual a mais sucesso, certo? Parece fazer sentido. É aí que você mete os pés pelas mãos, e a sua frustração dá origem ao aumento do consumo, de informação e de outras coisas mais. Bingo, eles ganharam.

Não sei de onde veio essa ideia de que quanto mais se lê, mais coisas sabemos, mais inteligentes somos. Não sei de onde veio essa ideia de que CEO’s leem “40 mil livros” por ano e por isso que eles são CEOs. Como se fosse uma fórmula, mas não é.

É só a opinião de alguém, não é um manual de vida

Uma competição constante por mais [de tudo] é o que se vê no mundo de hoje, mas eu tenho um segredo para te contar. A “vida” não é como nos livros. Seja lá qual livro for. Para que aquele livro fosse escrito, existiu uma história real de vida, mas a história em todos os seus segundos e minutos não cabe em um livro de 200 ou 300 páginas, a vida é muito mais complexa que isso.

Os livros, em geral, são o resultado da compilação de lições, ensinamentos, exemplos e histórias curtas, sem nenhum compromisso necessariamente com a realidade, e sim com a perspectiva de quem escreve. Os livros são como filmes, compilam anos de vida e experiências em algumas horas de leitura.

Quando nossa rotina é preenchida mais com livros do que com ação, adquirimos como referência parâmetros que podem ser distantes da prática, que não consideram eventos que não constam nos livros: desafios e imprevistos. Eles estão por todos os lados.

Isso nos traz uma reflexão: livros não são manuais de vida, ou de negócios, ou de qualquer coisa. Livros são apenas o pensamento e a perspectiva de alguém sobre aquele assunto. Ainda que embasados por pesquisas, experimentos e testes, esses resultados são sempre condicionais e referenciais, ou seja, existiam condições para que fossem observados aqueles resultados apresentados e análises foram feitas a partir de um referencial determinado.

Estar exposto a diferentes perspectivas  é fundamental para que possamos desenvolver nosso próprio pensamento crítico e perspectiva sobre algo. E esse pensamento crítico e capacidade de reflexão é comprometido quando inundamos nossa mente de informação contínua.

Consumir informação compulsivamente sem questionar e/ou processá-la, é o que se chama de obesidade mental: acúmulo de informação não processada, e que sem a capacidade de contextualizá-la, você não consegue fazer nada com ela. Pior: quanto mais informação, mais paralisado você fica.

Problemas causados pela sobrecarga de informação deliberada

O problema não está em ler, o hábito da leitura é incrível. O problema estar em achar que todas as respostas estão nos livros, que o aprendizado está no livro e que o livro reflete a vida.

Isso provoca ansiedade, e nos traz a sensação de que nunca estamos prontos o suficiente para agir. Que sempre falta absorver mais, saber mais, para então “estar pronto” “o suficiente”. No entanto, você já se perguntou até que ponto está mesmo absorvendo o conteúdo que consome ou só alimentando essa ansiedade?

Se você está lendo sem um objetivo, sem uma intenção específica, se está agindo apenas pelo hábito de acreditar que ler mais vai te fazer crescer mais, é aí que está pisando na casca da banana.

O grande volume de informação é prejudicial por três motivos:

  1. A inserção contínua de informação causa fatiga ao cérebro, o que dificulta a absorção e o processamento real do conteúdo.
  2. Diminuição da capacidade analítica e decisória. A sobrecarga de informação acontece quando a quantidade de informação inserida no sistema excede a sua capacidade de processamento. E isso faz com que a nossa qualidade de decisão reduza.
  3. Causa ansiedade, impede ação, e traz a sensação de que sempre falta algo para aprender.  Ao invés de produzir resultados, seu cérebro fica preso em “informações” para serem seguidas. Fica-se empacado por ter muitas opções.

Quem veio primeiro, a ação ou a informação?

Em boa parte da vezes, o livro que você está lendo foi escrito por alguém que fez algo, que agiu primeiro, e depois sumarizou os aprendizados e dividiu com você leitor. Ele(a) aprendeu com a sua própria experiência e por isso ele detém de fato o conhecimento sobre aquilo.

Pensar que só de ler o conteúdo, você absorverá tais aprendizados e evitará que aconteçam com você, é ilusão. Receber informação é diferente incorporá-la. Não se”sabe” algo porque leu, se sabe algo quando você vive. A experiência oferece propriedade sobre o tópico.

Este artigo não é diferente, eu quis trazer este assunto porque já estive neste lugar. Eu era dona de uma lista interminável de livros. A cada livro que lia no momento, da primeira à última página, era preenchida de ansiedade já pelo próximo. Por saber o que eu não sabia ainda, para ler o que eu ainda não tinha lido, para estar um livro à frente de “conhecimento” que os outros. E pior, isso era até “admirado” e estimulado por outras pessoas, provavelmente por aquelas que leram as manchetes dos hábitos dos CEO’s.

Até o dia em que eu tropecei com o termo mencionado anteriormente ‘Obesidade Mental’. Nesse momento eu fui tomada por um sentimento de autoconstrangimento (obrigada pela palavra Matheus de Souza).

E quando coloquei na balança mental, me assustei com tanto de informação que eu acumulava versus o que eu realmente fazia com aquela informação. E foi aí que eu vi, que eu tinha que parar. A partir daí, passei quase um ano ou mais sem ler nenhum livro.

O que aconteceu foi que aquele foi o ano em que eu mais realizei coisas, projetos, ideias, processos, até então. E sem dúvidas, foi o ano que eu mais aprendi, porque eu entendi que negócios são como filhos, por mais que você leia livros sobre como criá-los, você só aprende vivendo no dia a dia e sentindo na pele.

Como desenvolver o hábito positivo da leitura

Recebo mensagens com certa frequência de pessoas pedindo por sugestões de livros que ajudem a iniciar seus negócios, projetos e marcas, como se a resposta fosse estar lá, mas a verdade é que a resposta está em de fato começar.

Na próxima vez que for começar a leitura de um livro e quiser saber se ele te ajuda ou te atrapalha, tenha claro o que está te motivando a ler ele. Qual informação você quer, ou qual caminho você quer colocar em prática? O que quer tirar dele?

O hábito positivo da leitura acontece através da leitura intencional, desenvolver a consciência do porque fazemos o que fazemos, o que esperamos disto.

No livro Uma mente organizada: como pensar com clareza na era da sobrecarga de informação, o neurocientista, Daniel Levitin compartilha:

“O filósofo romano Sneca (tutor de Nero) reclamou que seus colegas estavam desperdiçando tempo e dinheiro acumulando tantos livros, alertando que a abundância de livros é uma distração.” Ao invés disso, Sneca recomendava focar em um número limitado de bons livros, para serem lidos com profundidade e repetidamente.”

Desapegar-se da competição interna e dos números, e passar a atentar-se para a qualidade, no sentido de qualidade de leitura, absorção e prática, é como parar de ficar contando calorias para combinar alimentação nutritiva com atividade física, funciona melhor a longo prazo e te traz retornos mais consistentes.

Se ainda ficou alguma dúvida sobre o posicionamento deste artigo, clarifico: apoio e incentivo o hábito da leitura, assim como apoio e incentivo o hábito de se questionar sobre o porquê e o como o faz

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